Relatório anual com foco em milionários, que acaba de ser divulgado pelo banco suíço UBS, mapeou a distribuição de riqueza em 56 países, de diferentes regiões. O Brasil, apesar das profundas diferenças sociais e a elevada concentração de renda (também por conta destas características), se sobressaiu em um dos quesitos analisados.
BRASIL E A PERSPECTIVA DE TRANSFERÊNCIA DE RIQUEZA
Segundo o estudo, o Brasil é o segundo país com maior fortuna com perspectiva de ser herdada nos próximos anos: US$ 9 trilhões. A transferência de riqueza pode ocorrer entre gerações ou entre integrantes de uma mesma família que são da mesma geração.
Com isso, segundo o estudo, o país fica à frente da China, segunda maior economia do mundo, que valor estimado de repasses intergeracionais ou matrimoniais de mais de US$ 5,6 trilhões.
O que explica o destaque do Brasil, de acordo com o estudo, é a grande população com mais de 75 anos.

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HERANÇA DE TRILHÕES
A estimativa do UBS, especializado na gestão do patrimônio de alta renda, é que ocorra nos próximos 20 a 25 anos uma transferência global total de riqueza superior a US$ 83 trilhões. Deste valor total, cerca de US$ 9 trilhões corresponderão a transferências horizontais de herança. Ou seja, entre indivíduos da mesma geração, como companheiros após a morte do marido ou mulher.
Já no caso das transferências verticais de herança, entre gerações, o valor deve ultrapassar os US$ 74 trilhões no período.
Os Estados Unidos lideram a lista com a maior soma de transferências de riqueza/herança, com uma cifra superior US$ 29 trilhões ao longo das próximas décadas.
Já quando o recorte do relatório do banco analisa apenas o total de milionários em dólar (ou seja, com patrimônio acima de US$ 1 milhão, ou em torno de R$ 5,5 milhões, em valores atuais), independentemente do país de origem e sua moeda local), o Brasil fica com a 19ª posição.
BRASIL AVANÇA POUCO EM TOTAL DE MILIONÁRIOS
No Brasil, há 433 mil milionários com patrimônio superior a US$ 1 milhão. Houve um crescimento de 1,6% no país em comparação ao levantamento anterior.
Com a expectativa de manutenção dos juros em um patamar elevado por um tempo, a tendência de crescimento da riqueza entre os milionários brasileiros deve se manter, segundo o banco.
O relatório do UBS cita ainda que o patrimônio dos brasileiros cresce de forma consistente. A riqueza média por adulto aumentou 6,4% (descontada a inflação). A mediana (o patrimônio daquele que ocupa o ponto médio entre o mais rico e mais pobre) teve uma alta de 9%.
CAMPEÃO DA DESIGUALDADE: BRASIL
O relatório inclui em sua análise as diferenças de renda nos países. Entre os 56 países listados, o Brasil é o mais desigual. Aqui, há a maior concentração de renda no topo da pirâmide. A realidade brasileira é comparada, por exemplo, à Rússia neste quesito.
O coeficiente de Gini, que mede a desigualdade de renda numa escala de 0 a 1 (sendo 0 a igualdade absoluta), serviu de base para a conclusão do estudo.
Ainda segundo o relatório do UBS, de 2023 para 2024, o patrimônio líquido de famílias aumentou 4,6% em todo o mundo.
EUA DETÊM 40% DOS MILIONÁRIOS
O ranking mostra que os EUA detêm 40% de milionários. Veja o recorte da lista com as principais posições:
1 – Estados Unidos – 23.831
2 – China – 6.327
3 – França – 2.897
4 – Japão – 2.732
5 – Alemanha: – 2.675
6 – Reino Unido – 2.624
7 – Canadá – 2.098
8 – Austrália – 1.904
9 – Itália – 1.344
10 – Coreia do Sul – 1.301
11 – Holanda – 1.267
12 – Espanha – 1.202
13 – Suíça – 1.119
14 – Índia – 917
15 – Taiwan – 759
16 – Hong Kong – 647
17 – Bélgica – 549
18 – Suécia – 490
19 – Brasil – 433
20 – Rússia – 426
21 – México – 399
22 – Dinamarca – 376
23 – Noruega – 348
24 – Arábia Saudita – 339
25 – Cingapura – 331
1 MIL MILIONÁRIOS POR DIA
No caso dos EUA, primeiro no ranking, o estudo aponta que o país ganhou no ano passado pouco mais de 1 mil milionários por dia.
A riqueza no país teria crescido de forma desproporcionalmente rápida. Ao todo, 379 mil pessoas passaram a ser milionárias em dólares americanos no ano.
APENAS “MILIONÁRIOS COMUNS“
Outro ponto destacado no estudo é que houve em 2024 a ascensão de um grupo batizado pelo UBS de “milionários comuns” – ou ricos que não são super-ricos. São as pessoas com patrimônio acima de US$ 1 milhão, mas inferior a US$ 5 milhões.
De 2000 a 2024, a soma de pessoas neste grupo foi multiplicada por quatro e chegou a 52 milhões de indivíduos – com tendência de aceleração. No início dos anos 2000, eram 13,27 milhões de pessoas no grupo. Já em 2019, havia em torno de 44 milhões no mundo.
O patrimônio somado do grupo de “entrada” dos milionários chega a US$ 107 trilhões. Para o UBS, os “milionários comuns” já somam uma riqueza perto daquela detida pelo topo da pirâmide. Isso porque os milionários com mais de US$ 5 milhões detêm, juntos, o total de US$ 119 trilhões.
